No final da semana passada, numa sexta-feira, cheguei em casa e notei que o loro estava fora da gaiola, numa caixinha respirando com dificuldade enquanto meu irmão cuidava dele. Perguntei se ele estava mal, e recebi uma confirmação como resposta. Então perguntei se ele havida sido levado ao veterinário ou se haviam feito alguma coisa a respeito. Responderam que não levaram ainda, e que só deram um remédio para ele, que não era a primeira vez que ele ficava dessa maneira e, portanto, estava tudo bem. Tudo bem? Se uma pessoa fica doente frequentemente, não significa que está tudo bem.
Depois de convencê-los, eu e meu pai levamos o loro numa veterinária e assim que chegamos, ela começou a lançar várias bombas:
Veterinária: O que o loro tem?
Pai: Ele tá há alguns dias com dificuldade de respirar, de vez em quando levanta a cabeça com dificuldade na hora de respirar, como se alguma coisa estivesse atrapalhando.
Veterinária: E vocês deram algum medicamento para ele?
Pai: Dei este aqui. – Meu pai entregou a bula do remédio para a veterinária.
Veterinária: E quem indicou esse remédio para ele tomar?
Pai: Ah um cara de uma casa de aves falou que era bom. Demos outras vezes e ele melhorou.
Nessa hora a veterinária fez uma cara bem feia. E daí em diante só piorava.
Veterinária: E que dose vocês deram pra ele?
Pai: Ah eu dei n gotas na água que ele bebe. (Não lembro mais quantas gotas foram, mas é irrelevante)
Veterinária: Bom… o que acontece é que esse medicamento é um antibiótico e deve ser usado somente em caso de diarréia. – pausa – Também a dose medicada foi 3 a 4 vezes o que ele poderia suportar e provavelmente ele está sofrendo de intoxicação por conta do medicamento. – outra pausa – Então vamos fazer de tudo para salvar ele, mas já aviso que as chances são bem pequenas com o quadro dele.
Depois disso ela falou que donos de casas de aves não sabem o que o animal precisa, que eles só vendem os produtos.
O loro então ficou internado lá na clínica, dentro de uma caixa aquecida recebendo oxigênio e tomou algumas injeções, mas infelizmente no dia seguinte veio a notícia que ele não resistiu.
Infelizmente hoje em dia, muitas pessoas ainda não dão valor ao profissional especializado. As pessoas reclamam que os serviços são caros, e que dá pra obter o mesmo serviço de um profissional menos qualificado, mas será que o serviço é realmente o mesmo?
Certamente que não. A diferença entre uma pessoa que estudou determinado assunto e tem experiência prática com ele e outra pessoa que apenas trabalha em ramo relacionado mas que não estudou do assunto nem tem experiência com ele é enorme.
E isso acontece em diversas áreas. Quantas vezes não vejo as pessoas se automedicando por aí, sem ter passado num médico, muitas vezes possuindo algum problema de saúde grave, mas algum amigo/colega/vizinho/primo comentou “Ah é só tomar uma pílula de Remediol que melhora.” e a pessoa nem se dá ao trabalho de pelo menos perguntar ao farmaceutico ou passar num pronto atendimento. Elas vão direto comprar o tal Remediol para tomar, por indicação de algum fulano.
E para aumentar ainda mais a incongruência, algumas dessas pessoas tem até plano de saúde. Pagam uma facada todo mês para terem o plano de saúde, mas quando chega a hora de usar, simplesmente vão numa farmácia tomar o tal do Remediol…
Claro que existem situações que não vale a pena ir atrás de algo de maior qualidade. Por exemplo, se meu interesse é apenas fazer um remendo numa camiseta antiga que está furada, talvez não valha tanto a pena procurar um alfaiate para o serviço. Ou se eu estiver procurando um celular apenas para receber ligações, não vale a pena procurar um que bate foto e toca música. Mas se o serviço for na área de saúde, eu me recuso a procurar algo sem qualidade.
