
Foto por http://flickr.com/photos/m00by/
Na época em que eu estudava no primário, sempre estudava para as provas com apenas uns 2 ou 3 dias de antecedência e o estudo consistia de decoreba pura. As professoras passavam um questionário com umas 10 questões e as respostas possuiam em média 2 linhas. Como caiam exatamente as mesmas 10 questões, a chave para o sucesso nas provas era fazer uma bateria de testes em cima das questões algum tempo antes da prova e pronto, mais um 10 para a coleção.
Lembro que naquela época, e mesmo alguns anos depois, as professoras sugeriam que não era necessário ter todo um trabalho para decorar o conteúdo, e que bastava entender o que estava sendo aprendido. Como decorar sempre me pareceu trabalhoso e chato, eu fiquei interessado em tentar apenas entender a matéria toda ao invés de gastar horas lendo a mesma coisa e testando minha memória nelas. Acho que era meu espírito procrastinador dando sinais de vida.
Como resultado, eu consegui tirar alguma nota, mas não fui tão bem quanto antes. Afinal, eu entendia o que estava sendo explicado para mim na hora, mas quem disse que eu me lembrava de tudo aquilo depois? Eu ainda apanhei um bocado com esse método, até finalmente desistir dele.
Já no ensino médio e no cursinho, sobretudo quando estudava ciências, passei a conhecer aquelas fórmulas e suas expressões mneumônicas como “sorvete – equação horária do espaço para movimentos retilíneos uniformes: s = s_0 + vt”, “Meu velho tio mandou Júnior saborear umas nove pizzas. – Para lembrar os nomes dos planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão (que ainda era um planeta na época))”, ou “Axô, biô prucê! – Fórmula para distância de ponto à reta: d = (|ax0 + by0 + c|)/raiz(a2 + b2)”.
Essas técnicas mneumônicas sempre fizeram sucesso pois muitas são engraçadinhas e, sobretudo, te ajudam de verdade a lembrar das fórmulas ou nomes de coisas. Algumas não fazem sentido algum (como: VLAVAAV – As sete cores do arco-íris: vermelho, laranja, amarelo, verde, anil, azul, violeta), mas parece que a sonoridade também ajuda na memorização.
Assim como o método anterior de “não decore, apenas entenda”, o método de bitolar [inserir definição de algum dicionário?] as fórmulas também não é de todo saudável, pois muita gente apenas decora as fórmulas e não se preocupa em entender como nem quando usar. Mas se um método não funciona, nem o outro, qual deve ser a melhor maneira de estudar então?
Solução: União dos Métodos
A solução para um estudo melhor, não consiste em escolher um dos dois métodos. Ao invés de optar entre um método ou outro, por que então não optar por um método e outro?
Hoje eu penso que a melhor maneira de encarar o estudo é primeiro entender sobre o objeto o qual se estuda e em seguida, treinar para que esse conhecimento adquirido não fuja da memória. É necessário forçar, tentar ir sempre além da zona de conforto.
Existem alguns exercícios de geometria, por exemplo, que é possível matar apenas utilizando semelhança de triângulos. Mas existe um conceito chamado Potência de Ponto que em determinados casos tornam alguns exercícios muito mais rápidos e fáceis de se resolver, precisando de menos conta. E eu sou totalmente a favor de utilizar conceitos mais avançados que evitem que eu faça muitas contas, pois quanto maior o número de contas maior é a chance de eu errá-las, sendo no lápis ou cometendo erros de digitação na calculadora. Mas eu sempre tinha dificuldade em decorar o conceito de potência de ponto, então eu nunca me preocupei muito com ele, já que as técnicas de semelhança de triângulos me eram muito confortáveis e matavam os exercícios. Porém agora na posição de professor, eu precisava aprender o conceito e também possui-lo de maneira rápida em minha mente caso fosse necessário usar. Entender como funcionava era simples, então o que eu fiz dali em diante foi evitar resolver os exercícios por semelhança de triângulos quando me parecesse óbvio que era possível resolver utilizando potência de ponto. E o resultado foi que hoje eu uso o conceito com naturalidade e tanta rapidez como faço com semelhança.
Por isso hoje eu considero importante utilizar ambos os métodos: primeiro entender e depois memorizar. Gosto de frisar na memorização pois o poder que ganhamos ao termos um conceito memorizado é muito grande, embora hoje memorizar ainda seja visto como algo prejudicial ao estudo, coisa que só o é se feito sem entender aquilo que está sendo estudado.