Hoje eu estava pesquisando preços de janelas. Depois de perceber que nem no site do Center Castilho, nem no da Leroy Merlin eles divulgavam preços (que considero a maior falha de ambos os sites), resolvi ir até a Leroy Merlin para olhar preços de janelas.
A Leroy Merlin da Ricardo Jaffet fica junto com o Extra. Estacionei o carro, anotei o local no celular (H-2) e procurei a entrada da loja. Encontrei uma escada branca do lado descoberto e mal subi um degrau percebi que levava à uma porta pequena fechada. Provavelmente aquele não era o local por onde eu deveria entrar. Então fiquei procurando alguma placa indicando a entrada da loja e não encontrei nenhuma. Tive que passear um pouco no estacionamento até encontrar a entrada.
Já lá dentro da loja, comecei a procurar a seção de esquadrias. Ando pra cá, ando pra lá, até que finalmente encontro. Tinham vários corredores de janelas nessa seção. Entrei num deles, e assim que encontrei uma janela que merecia ser tomada de nota, saquei minha caneta e papel e comecei a rascunhar os preços e medidas.
Nisso que estou num dos corredores de janela, passam alguns clientes aqui, funcionários aqui, mas no geral não havia muitas pessoas naquela seção. Provavelmente por causa disso, eu noto uma mulher com uma camiseta verde escuro com uns papéis na mão, da outra ponta do corredor, observando pra dentro do corredor onde eu estava. Eu pensei: “essa moça deve ser aquela que cuida do estoque, ou está anotando alguma informação da loja”.
Eu troco pro segundo corredor e em menos de 1 segundo lá está ela novamente na ponta do segundo corredor, fazendo um movimento de sobe e desce com a cabeça, observando e anotando. Começou a dar uma sensação de sincronia indesejada. Na minha ingenuidade, ainda pensei que eu deveria ou acelerar ou desacelerar pra, respectivamente, deixar ela para trás ou esperar que ela troque de corredor.
Quando eu troco pro terceiro corredor, ela troca junto. Eu até parei de observar as janelas depois dessa. Isso não poderia ser uma mera coincidência na sincronia. A cor da camiseta dela não ajudava nada em identificar, pois embora a cor da Leroy seja verde, eram tons diferentes, então ela podia ser uma funcionária da Leroy, uma funcionária de alguma marca de janela, ou uma stalker!
Eu estava olhando pras janelas mas sem prestar atenção nelas mais. Estava apenas pensando se eu deveria procurar um funcionário de verdade fácil de identificar ou um segurança e me queixar de que estava sendo seguido dentro da loja, ou se eu deveria voltar ao segundo corredor só para ter certeza absoluta de que o alvo de observação da moça era eu, não as janelas ou os clientes em geral.
Nesse pouco tempo que parei para pensar, ela entra no corredor e vem andando em minha direção. Eu torci para ela passar reto, mas ela veio direto em mim e: “Olá, estou fazendo uma pesquisa de opinião na seção de esquadrias. Depois que terminar de olhar as janelas, poderia responder algumas perguntas?”
Sério, nesse momento, se eu só tivesse notado que estava sendo seguido, mas não que ela estava vindo na minha direção, eu teria dado um pulo quando ela falou comigo. Mesmo assim, eu respondi que responderia as perguntas, mas assim que ela se afastou, eu não consegui mais observar direito as janelas. O semi-susto já havia me deixado perturbado e só continuei olhando as janelas mas sem foco algum.
A pesquisa
Depois de concluir minha andança, respondi a pesquisa “rápida”, que consistia em perguntas como “O que achou da organização da loja?”, “A seção de esquadrias chamou a atenção em relação ao restante da loja?”, e outras perguntas focadas na seção.
Ao final da pesquisa veio aquela sub-pesquisa socioeconômia de praxe que todo lugar realiza e todo mundo responde arredondando as quantidades para baixo (assim eu suponho).
Então ela pediu meu nome completo. Respondi apenas Claudio. Queria o endereço, me neguei a passar. Pediu o CEP, também me neguei e ela fez uma cara de “como um mero CEP vai te identificar?”, que logo adicionei que “com o CEP, qualquer pessoa identifica a rua onde eu moro”. Ela reclamou um pouco que o controle da loja se ela estava realmente fazendo a pesquisa com clientes ou inventando dados aletórios de amigos imaginários era baseado no endereço e no telefone.
Perguntei se caso eu passasse o CEP, poderia deixar de passar meu telefone (sim, eu sei que se eu quisesse, poderia encerrar a pesquisa a qualquer momento, mas optei por não o fazer). Ela fez outra cara de inconformismo e falou “mas pode ser um celular, não precisa ser telefone residencial”. Novamente eu rebati falando que empresas tem costume de fica fazendo ligações indesejadas e que eu realmente não ia informar meu telefone. Deixei só o CEP com ela e a pesquisa rápida finalmente encerrou!
Fui para o estacionamento, procurei em H-2 como eu havia anotado no celular e … nada. Aperto o botão do alarme para localizar o carro e … nada. Então percebo que estava na parte do estacionamento do Extra e não da Leroy. Mais algum tempo passeando até encontrar a parte da Leroy.
Conclusões
No caminho para casa eu fiquei pensando sobre o ocorrido todo.
Conclui que:
1) A Leroy Merlin deveria identificar melhor seus funcionários e não permitir que eles ficassem dando uma de stalker nos clientes;
2) Na próxima vez que vierem me fazer pesquisa de opinião, só respondo caso me garantam que eu vá ganhar um belo desconto nas minhas compras, mesmo que eu não compre nada. Isso pois quem responde uma pesquisa de opinião dessas está oferecendo uma consultoria pessoal para a empresa totalmente de graça. Imagine: estou utilizando parte do meu tempo, que poderia fazer qualquer outra coisa para mim mesmo, para dar minha opinião importantíssima sobre a loja, contribuindo com dados totalmente focados no interesse deles, e mais ainda, do ponto de vista dos clientes (no caso eu). As empresas pagam fortunas com consultorias para melhorar o atendimento, para diminuir custos, aumentar vendas, pois sabem que vão ganhar fortunas ainda maiores com o resultado das mudanças sugeridas pela consultoria. As empresas de consultoria cobram caro pois sabem que as empresas vão ganhar muito mais com os resultados, e caso a empresa A não contrate esses serviços, o concorrente B vai contratar e possivelmente acabar engolindo a empresa A com o passar do tempo. E eu, cliente, passo esses dados todos de mão beijada, sem nem ganhar uma fatia desse bolo?
3) E finalmente, conclui que provavelmente vou escolher uma janela de qualidade razoável pra média, pois eu ainda não tenho rins suficiente para comprar as mais legais que encolhem, descem, fazem misto-quente, te acordam com café da manhã na cama, abrem pra fora e outros recursos legais.
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